Estação de Tratamento de Esgoto Descentralizada

Estação de Tratamento de Esgoto Descentralizada

Horizon – Tratamento de esgoto

Horizon – Tratamento de esgoto

Horizon – Tratamento de esgoto

ETE Horizon: sistema descentralizado e modular para tratamento de esgoto sanitário. Solução completamente anaeróbia, sem consumo de energia, robusta e autônoma para condomínios, loteamentos e comunidades até 50 m³/dia.

ETE Horizon: sistema descentralizado e modular para tratamento de esgoto sanitário. Solução completamente anaeróbia, sem consumo de energia, robusta e autônoma para condomínios, loteamentos e comunidades até 50 m³/dia.

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Nessa página:

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1. O QUE É

ETE Horizon: Saneamento descentralizado que funciona

A ETE Horizon é uma solução desenvolvida pela Nexus para o tratamento de esgoto sanitário em sistemas descentralizados e semicoletivos, bem como para efluentes domésticos em comércios e indústrias. É constituída por um sistema compacto, modular e pré-fabricado em Plástico Reforçado com Fibra de Vidro (PRFV), em formato cilíndrico horizontal, com múltiplas etapas de tratamento integradas.

Tecnologia comprovada adaptada à realidade brasileira

O desenvolvimento da ETE Horizon nasceu da análise profunda dos desafios enfrentados por comunidades descentralizadas no Brasil e no mundo. Identificamos uma realidade cruel: milhões de pessoas em bairros periféricos, distritos rurais, comunidades tradicionais e loteamentos isolados carecem de acesso a saneamento básico. As soluções disponíveis frequentemente falham por serem tecnicamente inadequadas para essas realidades — sistemas que dependem de energia elétrica em locais sem infraestrutura confiável, que exigem operadores especializados inexistentes nessas comunidades, ou que têm custos operacionais incompatíveis com a capacidade de pagamento local.

A ETE Horizon foi concebida para enfrentar essa realidade de frente. Inspirada nas experiências da ONG BORDA — que já implantou mais de 3.500 sistemas descentralizados de tratamento de esgoto na África e na Ásia em mais de 45 anos de atuação — e incorporando melhorias fundamentadas nas práticas nacionalmente consolidadas de tratamento anaeróbio (décadas de experiência com reatores UASB, tanques sépticos, filtros anaeróbios), a Horizon representa a integração entre tecnologia internacional comprovada e engenharia nacional adaptada.

A característica mais marcante da Horizon: opera completamente sem energia elétrica. Nenhum motor, nenhuma bomba, nenhum soprador. O tratamento ocorre por processos naturais — sedimentação por gravidade, digestão anaeróbia espontânea, filtração passiva. Isso elimina custos operacionais com energia (que frequentemente inviabilizam sistemas em comunidades de baixa renda) e garante funcionamento mesmo em locais sem infraestrutura elétrica ou com fornecimento intermitente.

Robustez para condições adversas

Construída em PRFV de alta qualidade, a ETE Horizon foi projetada para suportar as condições agressivas características de sistemas descentralizados: variações climáticas extremas, eventuais negligências operacionais, vandalismo, longos períodos sem manutenção. A estrutura é resistente, durável, e não sofre com corrosão ou deterioração que afetam sistemas em concreto armado.

O sistema pode ser instalado de forma apoiada (sobre o solo) ou enterrada (sob o nível do solo), oferecendo flexibilidade para diferentes contextos: em áreas urbanas onde estética é relevante, instalação enterrada mantém discrição; em áreas rurais, instalação apoiada facilita acesso para manutenção e reduz custos de escavação.

O resultado é uma estação de tratamento que entrega efluente tratado com eficiência de 70 a 90% na remoção de DBO e SST, atendendo CONAMA 430/2011 e ABNT NBR 17.076/2024, com custos operacionais mínimos (basicamente troca periódica de pastilhas de cloro e carvão ativado, remoção de lodo a cada 1-2 anos), e confiabilidade operacional que permite uso em comunidades sem acesso a assistência técnica especializada.

2. DIFERENCIAIS

Por que a ETE Horizon é diferente de tudo no mercado

A ETE Horizon não é apenas mais uma fossa séptica melhorada — ela representa um novo paradigma em saneamento descentralizado, combinando simplicidade operacional com eficiência técnica rigorosa.

Completamente Anaeróbia e Sem Consumo de Energia

Esta é a característica definidora da Horizon: zero consumo de energia elétrica. Enquanto sistemas aeróbios convencionais (lodos ativados, MBBR, biofiltros aerados) requerem aeração contínua consumindo energia 24 horas por dia, 365 dias por ano, a Horizon opera por processos naturais anaeróbios que não demandam fornecimento externo de oxigênio.

O que isso significa na prática? Significa viabilidade econômica para comunidades de baixa renda onde custo de energia seria impeditivo. Significa funcionamento confiável em áreas rurais sem rede elétrica. Significa resiliência em regiões com fornecimento de energia intermitente (quedas frequentes, racionamentos). Significa sustentabilidade — menor pegada de carbono, menor impacto ambiental.

Mas não se engane: ausência de consumo de energia NÃO significa baixa eficiência. A Horizon atinge 70-90% de remoção de DBO e SST — comparável a muitos sistemas aeróbios — através de sequência cuidadosamente projetada de processos anaeróbios em múltiplas etapas, cada uma otimizada para máxima eficiência.

Tecnologia Internacional Comprovada com Adaptação Nacional

A inspiração da Horizon vem do conceito DEWATS (Decentralised Wastewater Treatment Systems), desenvolvido e disseminado pela ONG BORDA. Mais de 3.500 sistemas DEWATS operando com sucesso em dezenas de países comprovam a viabilidade da tecnologia.

Mas a Nexus não simplesmente copiou soluções internacionais — adaptamos e melhoramos. Incorporamos décadas de experiência brasileira com sistemas anaeróbios (Brasil é referência mundial em tratamento anaeróbio graças à disseminação de reatores UASB desde os anos 1980). O resultado é um sistema que combina o melhor dos dois mundos: a robustez comprovada internacionalmente com as melhorias desenvolvidas nacionalmente.

Melhorias específicas incluem:

  • Otimização hidráulica dos reatores compartimentados para máxima eficiência em clima tropical

  • Incorporação de filtro de gases para controle rigoroso de odores (crítico para instalações em áreas urbanas)

  • Design modular em PRFV que permite fabricação industrial controlada (ao contrário de construções em alvenaria no local)

  • Detalhamento de acessórios e componentes complementares baseado em experiência com desafios operacionais locais

Modularidade e Flexibilidade

A Horizon é oferecida em 3 modelos para atender diferentes capacidades:

  • Modelo pequeno: até 10 m³/dia (~60-70 habitantes)

  • Modelo médio: 10 a 20 m³/dia (~70-140 habitantes)

  • Modelo grande: 20 a 50 m³/dia (~140-350 habitantes)

Essa faixa de capacidades cobre a imensa maioria de aplicações descentralizadas: pequenos condomínios, vilas rurais, loteamentos de pequeno a médio porte, comunidades tradicionais, escolas rurais, postos de saúde.

A modularidade também permite implantação em paralelo para capacidades maiores: até 4 unidades podem operar em paralelo, tratando até 200 m³/dia (~1.400 habitantes) mantendo as vantagens operacionais do sistema.

Instalação Rápida e Simplificada

Por ser completamente pré-fabricada em ambiente industrial, a instalação da Horizon é drasticamente mais rápida que construção de ETE convencional:

ETE convencional em concreto: Escavações extensas, formas, ferragens, concretagem, cura do concreto, impermeabilizações, acabamentos — processo de 6 a 12 meses da mobilização à operação.

ETE Horizon: Preparação de fundações simples (laje de apoio ou berço em solo), transporte dos módulos pré-fabricados, posicionamento com guindaste, conexões hidráulicas, instalação de acessórios — processo de 4 a 8 semanas da mobilização à operação.

Rapidez significa:

  • Comunidades começam a ter saneamento meses antes

  • Menos interrupção de áreas durante obra

  • Menor exposição a riscos de atrasos (chuvas, problemas com mão de obra)

  • Custos mais previsíveis

Operação Simplificada para Qualquer Comunidade

A Horizon foi desenvolvida para ser operada por mão de obra local ou por membros da própria comunidade, sem necessidade de técnicos especializados. Os procedimentos de operação e manutenção são simplificados:

Rotinas semanais/mensais:

  • Inspeção visual do sistema

  • Remoção de sólidos grosseiros do cesto do tratamento preliminar

  • Verificação de funcionamento de válvulas e tubulações

  • Verificação visual do efluente tratado

Rotinas semestrais/anuais:

  • Troca de pastilhas de cloro no tanque de contato

  • Verificação e eventual regeneração do carvão ativado no filtro de gases

Rotinas a cada 1-2 anos (conforme uso):

  • Remoção de lodo acumulado no tanque séptico e nas câmaras de tratamento

  • Limpeza de eventuais obstruções

Esses procedimentos podem ser realizados com ferramentas simples e treinamento básico. Manuais ilustrados e vídeos instrutivos (fornecidos pela Nexus) facilitam ainda mais.

Baixíssima Geração de Lodo

Sistemas anaeróbios geram muito menos lodo que sistemas aeróbios. A Horizon produz tipicamente 50-70% menos lodo que lodos ativados. Isso significa:

  • Menor frequência de remoção de lodo (1-2 anos vs. semanas/meses em aeróbios)

  • Menores custos de destinação

  • Menor complexidade operacional

Para comunidades descentralizadas, isso é vantagem crítica: não precisam de infraestrutura complexa de tratamento de lodo, não dependem de serviços de limpa-fossa frequentes.

Segurança e Resistência a Vandalismo

Por não ter componentes elétricos, motores, ou equipamentos de valor, a Horizon é naturalmente resistente a furtos — problema sério em muitas comunidades periféricas.

Estrutura em PRFV é robusta — não sofre com impactos, não quebra facilmente. Instalação enterrada (quando apropriado) mantém sistema discreto e protegido.

Conformidade Legal e Regulatória

A Horizon foi desenvolvida para atender:

  • CONAMA 430/2011: Padrões de lançamento de efluentes

  • ABNT NBR 17.076/2024: Norma específica para sistemas descentralizados de tratamento

  • Resoluções estaduais aplicáveis (São Paulo, Minas Gerais, etc.)

Projetos são assinados por engenheiro responsável com ART/RRT, facilitando licenciamento ambiental e aprovação em órgãos competentes.

3. TECNOLOGIA

A engenharia dos processos anaeróbios em múltiplas etapas

A tecnologia da ETE Horizon baseia-se em sequência integrada de processos anaeróbios, cada um projetado para remover categorias específicas de contaminantes.

Fundamentos do Tratamento Anaeróbio

Tratamento anaeróbio é degradação de matéria orgânica por microrganismos na ausência de oxigênio. Diferente de processos aeróbios (que usam oxigênio como aceptor de elétrons), processos anaeróbios usam sulfatos, nitratos, CO₂ e outros compostos.

Vantagens do tratamento anaeróbio:

  • Não requer aeração (sem consumo de energia para fornecer oxigênio)

  • Gera muito menos lodo (bactérias anaeróbias crescem mais lentamente que aeróbias)

  • Produz biogás (metano) que em grandes sistemas pode ser aproveitado energeticamente

  • Microrganismos anaeróbios são mais resistentes a paradas e variações de carga

Limitações tradicionais:

  • Eficiência ligeiramente menor que aeróbios (70-85% vs. 90-95%)

  • Não remove nitrogênio e fósforo eficientemente

  • Pode gerar odores se mal projetado

  • Requer temperaturas adequadas (eficiência diminui abaixo de 15°C)

A Horizon foi desenvolvida para maximizar vantagens e minimizar limitações, através de design cuidadoso de múltiplas etapas em série.

Arquitetura do Sistema: Etapas de Tratamento

A ETE Horizon integra 6 etapas sequenciais, cada uma com função específica:

Etapa 1: Tratamento Preliminar

Função: Remover sólidos grosseiros que poderiam obstruir etapas subsequentes ou danificar estrutura.

Como funciona: Cesto perfurado instalado na entrada do sistema. Efluente bruto passa através das perfurações (tipicamente 10-15 mm), retendo objetos maiores: trapos, absorventes, preservativos, plásticos, galhos.

Operação: Cesto deve ser limpo periodicamente (semanal ou quinzenalmente conforme uso). Operador remove cesto, descarta sólidos retidos em lixo comum, recoloca cesto.

Importância: Parece simples mas é crítico. Sólidos grosseiros poderiam flutuar e obstruir saídas, ou sedimentar e ocupar volume útil de tratamento.

Etapa 2: Tanque Séptico

Função: Primeira grande etapa de remoção de contaminantes. Remove por sedimentação sólidos inorgânicos e matéria orgânica particulada. Inicia digestão anaeróbia.

Como funciona:

Tanque com 3 zonas:

  • Zona de escuma (superior): Materiais flutuantes (gorduras, óleos, sólidos leves) acumulam-se na superfície formando camada de escuma.

  • Zona clarificada (meio): Líquido relativamente clarificado.

  • Zona de lodo (fundo): Sólidos sedimentam por gravidade. Bactérias anaeróbias colonizam esse lodo e começam digestão da matéria orgânica.

Efluente entra por uma extremidade, flui lentamente (tempo de detenção: 12-24h), permitindo sedimentação. Saída é por dispositivo submerso que coleta líquido da zona clarificada (abaixo da escuma, acima do lodo).

Processos microbiológicos: No lodo acumulado, bactérias anaeróbias iniciam digestão: proteínas → aminoácidos, carboidratos → açúcares simples, lipídeos → ácidos graxos. Esses compostos são então fermentados produzindo ácidos orgânicos, alcoóis, H₂, CO₂. Parte desses produtos é convertida em metano (CH₄) por bactérias metanogênicas.

Eficiência: Tanque séptico bem operado remove:

  • 50-65% de DBO

  • 60-70% de SST

  • Significativa redução de patógenos (por sedimentação e por ambiente hostil no lodo)

Manutenção: A cada 1-2 anos, lodo acumulado deve ser removido (bombeado por caminhão limpa-fossa). Se não removido, lodo excessivo reduz volume útil e compromete eficiência.

Etapa 3: Reator Anaeróbio Compartimentado

Função: Tratamento da matéria orgânica solúvel e coloidal que não foi removida no tanque séptico. Polimento anaeróbio.

Como funciona:

Reator dividido em múltiplas câmaras (tipicamente 3-4) por chicanas internas. Efluente do tanque séptico flui sequencialmente por essas câmaras.

Fluxo: Ascendente-descendente alternado. Efluente sobe em uma câmara, desce na seguinte, sobe na próxima — padrão serpentear. Isso:

  • Aumenta tempo de contato entre efluente e biomassa anaeróbia

  • Promove mistura adequada sem necessidade de agitação mecânica

  • Favorece formação de biomassa granular (microrganismos agregados) de alta atividade

Processos microbiológicos: Em cada câmara, comunidades microbianas anaeróbias especializadas:

Câmara 1 (acidogênica): Bactérias fermentativas convertem matéria orgânica complexa em ácidos orgânicos (acético, propiônico, butírico), alcoóis, H₂, CO₂. pH tende a cair devido produção de ácidos.

Câmaras 2-3 (metanogênicas): Bactérias metanogênicas convertem ácidos e H₂ em metano e CO₂. Esse consumo de ácidos eleva pH. Metano produzido escapa como gás.

Segregação de comunidades microbianas em câmaras separadas otimiza condições para cada grupo: acidogênicas preferem pH mais baixo e crescem mais rápido; metanogênicas preferem pH neutro e crescem mais lentamente. Separação espacial permite coexistência otimizada.

Eficiência: Remove adicional 20-30% da DBO remanescente.

Etapa 4: Filtro Anaeróbio

Função: Polimento final do efluente líquido. Remoção de matéria orgânica solúvel remanescente e de sólidos em suspensão finos.

Como funciona:

Câmara preenchida com meio suporte (geralmente anéis plásticos ou pedras britadas). Efluente flui ascendentemente através do meio suporte.

Biofilme anaeróbio desenvolve-se nas superfícies do meio suporte. Microrganismos no biofilme degradam matéria orgânica remanescente. Sólidos em suspensão finos ficam retidos mecanicamente entre os interstícios do meio suporte.

Tempo de detenção: 6-12 horas.

Eficiência: Remove adicional 10-20% de DBO remanescente. Efluente sai com DBO tipicamente < 60 mg/L, SST < 60 mg/L.

Manutenção: Ocasionalmente (a cada 3-5 anos), pode ser necessário remover lodo acumulado no fundo do filtro.

Etapa 5: Tanque de Contato com Desinfecção

Função: Inativação de microrganismos patogênicos (bactérias, vírus, protozoários) para proteção da saúde pública.

Como funciona:

Tanque com tempo de detenção mínimo de 30 minutos. Pastilhas de cloro (ácido tricloroisocianúrico) são colocadas em cesto perfurado dentro do tanque. Água dissolve lentamente o cloro das pastilhas, mantendo concentração de 1-2 mg/L de cloro residual.

Cloro oxida membranas celulares de microrganismos, inativando-os. Após 30 minutos de contato, redução de > 99,9% de coliformes totais.

Manutenção: Pastilhas devem ser repostas periodicamente (mensalmente a trimestralmente conforme uso e tamanho das pastilhas). Operador simplesmente adiciona novas pastilhas ao cesto.

Etapa 6: Filtro de Gases para Controle de Odores

Função: Remover compostos gasosos que causam odores desagradáveis (sulfeto de hidrogênio H₂S, mercaptanos, compostos orgânicos voláteis).

Como funciona:

Tubo vertical preenchido com carvão ativado. Gases gerados nos processos anaeróbios (inevitavelmente produzem H₂S e outros compostos odoríferos) são direcionados para sair através deste filtro ao invés de serem liberados diretamente para atmosfera.

Carvão ativado tem elevada porosidade e área superficial. Compostos odoríferos adsorvem (aderem) às superfícies do carvão, ficando retidos. Ar que sai do filtro está livre de odores.

Manutenção: A cada 1-2 anos (conforme uso), carvão ativado satura-se (poros ficam preenchidos). Deve ser substituído por carvão novo ou regenerado (processo térmico que limpa poros).

Importância: Controle de odores é crítico para aceitação social de sistemas de tratamento, especialmente em áreas urbanas. O filtro de carvão garante que a Horizon não gere incômodos à vizinhança.

Integração das Etapas: Sinergia de Processos

As 6 etapas não funcionam isoladamente — são integradas em sequência otimizada onde cada etapa prepara efluente para a seguinte:

Tratamento preliminar → Remove grosseiros que obstruiriam tanque séptico

Tanque séptico → Remove bulk dos sólidos e inicia digestão, protegendo reator compartimentado de sobrecarga

Reator compartimentado → Degrada matéria orgânica solúvel/coloidal, protegendo filtro anaeróbio de carga excessiva

Filtro anaeróbio → Polimento fino, produzindo efluente estável para desinfecção

Tanque de contato → Desinfecção em efluente já clarificado (cloro é mais eficaz em efluente limpo)

Filtro de gases → Controle ambiental para aceitação comunitária

Resultado: eficiência combinada de 70-90% (muito superior ao que tanque séptico sozinho atingiria - 50-65%) com robustez e simplicidade operacional.

4. APLICAÇÕES

Onde a ETE Horizon transforma realidades

A versatilidade e a operação sem energia da ETE Horizon a tornam ideal para contextos onde sistemas convencionais falham.

Bairros Periféricos Urbanos

Muitas cidades brasileiras têm bairros periféricos densamente populados mas sem infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto. Fossas rudimentares, lançamentos em córregos, esgoto a céu aberto são realidades que geram riscos à saúde e degradação ambiental.

A Horizon permite soluções semicoletivas: uma rede coletora local (de menor escala que redes centralizadas) direciona esgoto de dezenas ou centenas de domicílios para uma Horizon implantada em terreno disponível na própria comunidade.

Vantagens para bairros periféricos:

  • Não depende de extensões caras de redes coletoras centralizadas

  • Opera sem energia (muitas periferias têm fornecimento irregular)

  • Operação pode ser comunitária (capacitação de moradores)

  • Investimento acessível para ações de ONGs, programas governamentais

  • Implantação rápida

Cases típicos:

  • Favelas urbanizadas com terrenos disponíveis para ETE

  • Ocupações regularizadas buscando melhoria de saneamento

  • Assentamentos que aguardam conexão futura a sistemas centralizados (Horizon como solução transitória ou permanente)

Condomínios e Loteamentos

Condomínios horizontais e loteamentos em áreas sem coleta pública de esgoto tradicionalmente dependem de fossas sépticas individuais ou soluções improvisadas. A Horizon oferece alternativa superior:

Sistema semicoletivo para todo empreendimento: Rede interna coleta esgoto de todas residências, direcionando para Horizon centralizada.

Vantagens:

  • Eficiência superior a fossas individuais

  • Proteção do lençol freático (fossas frequentemente contaminam água subterrânea)

  • Valorização do empreendimento (diferencial de marketing)

  • Conformidade com exigências de licenciamento ambiental

  • Possibilidade de reúso do efluente tratado (irrigação de áreas verdes)

Perfil ideal:

  • Loteamentos com 50-200 lotes

  • Condomínios com 20-100 unidades habitacionais

  • Empreendimentos em fase de aprovação (Horizon facilita licenciamento)

  • Retrofits de loteamentos existentes buscando regularização ambiental

Distritos e Comunidades Rurais

Áreas rurais raramente têm acesso a redes coletoras de esgoto. População depende de fossas negras, fossas sépticas precárias, ou simplesmente lançamento direto no solo.

A Horizon é ideal para distritos rurais de pequenas cidades, vilas, comunidades tradicionais (ribeirinhas, quilombolas, indígenas) que buscam melhoria de saneamento:

Características que favorecem aplicação rural:

  • Independência de energia (áreas rurais frequentemente têm fornecimento precário)

  • Robustez (resiste a negligências operacionais)

  • Simplicidade (operação por mão de obra local)

  • Baixo custo operacional (fundamental para viabilidade econômica)

Programas de saneamento rural: Governos estaduais e federais, ONGs, agências de desenvolvimento frequentemente financiam saneamento rural. A Horizon, com custo-benefício superior, é escolha natural para esses programas.

Estabelecimentos Comerciais e Indústrias com Efluente Doméstico

Comércios e indústrias localizados em áreas sem coleta pública, ou que geram efluentes de características domésticas:

Hotéis e pousadas rurais: Geram esgoto de banheiros, cozinhas. Horizon trata eficientemente.

Restaurantes e lanchonetes: Após separação de gorduras (caixa de gordura), efluente adequado para Horizon.

Pequenas agroindústrias: Processamento de alimentos, laticínios pequenos. Dependendo da carga (se não excessiva), Horizon pode tratar.

Postos de gasolina: Efluentes sanitários de banheiros e áreas administrativas.

Estabelecimentos turísticos: Campings, áreas de lazer em zonas rurais.

A Horizon permite que esses estabelecimentos operem em conformidade ambiental sem custos operacionais proibitivos com energia.

Escolas Rurais e Unidades de Saúde

Infraestruturas públicas em áreas rurais:

Escolas: Centros educacionais com centenas de alunos geram volume significativo de esgoto. Horizon trata adequadamente, garantindo ambiente saudável para crianças.

Postos de saúde: Unidades básicas de saúde (UBS) em áreas rurais. Efluente é basicamente sanitário (banheiros, lavatórios). Horizon adequada.

Importância: Saneamento adequado em escolas e postos de saúde é questão de saúde pública fundamental. Horizon viabiliza isso em localidades remotas.

Comunidades Tradicionais e Áreas de Preservação

Comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas, em áreas de proteção ambiental enfrentam desafio duplo: necessidade de saneamento + restrições ambientais rigorosas.

A Horizon, por não consumir energia (pegada de carbono zero operacional), gerar pouco lodo, e não usar produtos químicos excessivos, é opção ambientalmente amigável.

Projetos em UCs (Unidades de Conservação): Órgãos ambientais frequentemente exigem tratamento de esgoto em instalações dentro ou no entorno de UCs (centros de visitantes, alojamentos de pesquisadores). Horizon, com baixo impacto, é aprovada.

5. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

Dados técnicos completos para especificadores e engenheiros

As especificações técnicas detalhadas da ETE Horizon demonstram o rigor de engenharia aplicado em seu desenvolvimento.

Instalação

Instalação Apoiada (sobre o solo):

  • Fundação: Laje de concreto armado ou berço de concreto

  • Altura livre necessária: ~3-4 m (para módulo + estrutura de acesso)

  • Vantagens: Fácil acesso para manutenção, menor custo de implantação

  • Desvantagens: Visível, requer maior área livre

Componentes adicionais para instalação apoiada:

  • Estrutura metálica para elevação do tratamento preliminar

  • Escada inclinada ou marinheiro para acesso superior

  • Corrimãos e guarda-corpos (segurança)

Instalação Enterrada (sob o nível do solo):

  • Escavação: Conforme dimensões do módulo + folga para trabalho

  • Fundação: Laje de fundo em concreto armado

  • Reaterro: Areia ou solo selecionado compactado em camadas

  • Vantagens: Discreta (esteticamente mais agradável), protegida de intempéries

  • Desvantagens: Maior custo de implantação, acesso para manutenção requer extensões

Componentes adicionais para instalação enterrada:

  • Extensões para bocais de acesso (elevam tampas até nível do solo)

  • Extensão para filtro de gases (topo do filtro deve ficar acima do solo)

  • Degraus ou escada para acesso interno às câmaras

Opcionais e Acessórios

Tratamento complementar:

  • Filtros adicionais para polimento (areia, wetlands construídos)

  • Sistemas de desinfecção UV (alternativa a cloração)

  • Sistemas de reúso (filtros, reservatórios)

Monitoramento:

  • Sensores de nível

  • Sistema de telemetria para monitoramento remoto

  • Alarmes

Estruturas:

  • Cercamento e portões

  • Cobertura para proteção (instalação apoiada)

  • Paisagismo para integração visual

6. PROCESSO DE TRATAMENTO

A jornada do esgoto através da Horizon

Compreender o processo completo ajuda a valorizar a engenharia por trás da eficiência anaeróbia.

Do Esgoto Bruto ao Efluente Tratado

Geração e coleta:

Esgoto é gerado continuamente em residências: banheiros, chuveiros, pias, tanques, máquinas de lavar. Flui por tubulações internas (rede predial), depois para rede coletora externa (gravidade ou bombeamento).

Características do esgoto doméstico bruto:

  • Cor acinzentada a marrom

  • Odor desagradável (compostos sulfurados, amônia)

  • Turbidez elevada (matéria em suspensão)

  • DBO: 200-400 mg/L

  • SST: 200-400 mg/L

  • Presença de sólidos grosseiros, gorduras, areia

  • Presença de patógenos (bactérias, vírus, protozoários)

Etapa 1: Chegada e Tratamento Preliminar

Esgoto bruto chega à ETE Horizon. Primeiro obstáculo: cesto do tratamento preliminar.

Função: Proteção do sistema. Objetos grandes que não deveriam estar no esgoto mas invariavelmente aparecem (absorventes, preservativos, fraldas, trapos, plásticos) ficam retidos no cesto.

Mecânica: Cesto tem perfurações de ~10-15 mm. Líquido e partículas menores passam; objetos maiores ficam. Operador, ao inspecionar semanalmente, remove cesto, descarta sólidos retidos em saco plástico (lixo comum), lava cesto, recoloca.

Esgoto, agora livre de grosseiros, flui para próxima câmara.

Etapa 2: Tanque Séptico — Sedimentação e Digestão Inicial

Entrada: Esgoto entra no tanque séptico pela extremidade de entrada.

Fenômeno imediato: Velocidade do fluxo diminui drasticamente (de ~0,5-1 m/s nas tubulações para ~0,001 m/s no tanque). Essa desaceleração permite que processos gravitacionais ocorram:

Sedimentação: Partículas mais densas que água (areia residual, matéria orgânica particulada pesada, sólidos fecais) caem lentamente, acumulando-se no fundo. Ali, formam camada de lodo. Com o tempo, essa camada espessa.

Flotação: Substâncias menos densas (gorduras, óleos, sólidos leves, gases) sobem, acumulando-se na superfície. Ali, formam camada de escuma.

Zona clarificada: Entre lodo (fundo) e escuma (superfície), fica zona de líquido relativamente clarificado — ainda turvo, mas livre de sólidos grosseiros.

Digestão anaeróbia no lodo: Lodo no fundo não é inerte. É habitat para bilhões de bactérias anaeróbias que começam a digerir matéria orgânica. Processos:

  1. Hidrólise: Macromoléculas (proteínas, polissacarídeos, lipídeos) são quebradas em moléculas menores (aminoácidos, açúcares, ácidos graxos).

  2. Acidogênese: Moléculas simples são fermentadas, produzindo ácidos orgânicos (acético, propiônico, butírico), alcoóis, H₂, CO₂. Lodo torna-se ácido.

  3. Metanogênese (início): Bactérias metanogênicas (crescimento lento) começam a converter ácidos e H₂ em metano (CH₄) e CO₂. Gases sobem como bolhas, escapam pela superfície.

Resultado: matéria orgânica no lodo é parcialmente degradada. Volume de lodo cresce inicialmente (acúmulo de sólidos), depois estabiliza (degradação compensa acúmulo).

Tempo de permanência: Esgoto fica no tanque séptico por 12-24 horas. Nesse tempo, 50-65% da DBO e 60-70% dos SST são removidos — impressionante para processo tão simples!

Saída: Dispositivo de saída (tubo em "T" ou chicana) coleta líquido da zona clarificada (abaixo da escuma, acima do lodo). Esse efluente, agora pré-tratado, flui para próxima etapa.

Etapa 3: Reator Anaeróbio Compartimentado — Digestão Profunda

Efluente do tanque séptico ainda contém matéria orgânica significativa (50-65% foi removido, mas 35-50% permanece) — principalmente matéria orgânica dissolvida e coloidal que não sedimenta.

Entrada no reator: Efluente entra na primeira câmara do reator compartimentado.

Arquitetura: Reator é dividido por chicanas (paredes verticais que não vão até o fundo ou topo, criando passagens). Efluente é forçado a subir em uma câmara, descer na seguinte, subir novamente — fluxo serpentear.

Por que esse design?

  1. Aumento do tempo de contato: Fluxo serpentear é caminho mais longo que fluxo direto. Maior tempo de contato entre efluente e biomassa = maior degradação.

  2. Zonas anaeróbias distintas: Cada câmara desenvolve comunidade microbiana especializada:

    • Câmara 1 (mais carregada): Bactérias acidogênicas dominam. Degradam matéria orgânica em ácidos. pH mais baixo.

    • Câmaras 2-3: Bactérias metanogênicas dominam. Consomem ácidos produzindo metano. pH neutro.

  3. Sedimentação interna: Movimento ascendente-descendente promove sedimentação de sólidos em cada câmara. Biomassa granular forma-se, retida no fundo das câmaras.

Processos microbiológicos intensos:

Na câmara 1, bactérias acidogênicas trabalham intensamente:

  • Degradam compostos orgânicos dissolvidos (carboidratos residuais, proteínas, lipídeos)

  • Produzem ácidos orgânicos, alcoóis, H₂, CO₂

  • Crescem rapidamente (tempo de geração: horas)

Nas câmaras 2-3, bactérias metanogênicas assumem:

  • Consomem ácidos produzidos na câmara 1

  • Convertem em CH₄ e CO₂ (biogás)

  • Crescem lentamente (tempo de geração: dias)

  • Requerem pH neutro (7-8) e ausência de oxigênio

Biogás produzido: CH₄ e CO₂ formam bolhas que ascendem. São coletadas em espaço superior de cada câmara e direcionadas para filtro de gases (etapa 6).

Tempo de permanência: 10-12 horas distribuídas entre as câmaras.

Resultado: Adicional 20-30% de DBO removida. Efluente sai com DBO ~80-120 mg/L.

Etapa 4: Filtro Anaeróbio — Polimento Fino

Efluente ainda contém:

  • Matéria orgânica dissolvida residual (compostos recalcitrantes de difícil degradação)

  • Sólidos suspensos finos (biomassa desprendida do reator compartimentado)

Função do filtro: Remoção final dessas impurezas.

Estrutura: Câmara preenchida com meio suporte (anéis de plástico, Tipo Raschig ou similar). Esses anéis têm elevada área superficial e grande volume de vazios (espaços entre anéis).

Fluxo: Efluente entra na base do filtro, flui ascendentemente através dos vazios entre anéis, sai pelo topo.

Biofilme no meio suporte: Nas superfícies dos anéis, desenvolve-se biofilme anaeróbio. Microrganismos no biofilme degradam matéria orgânica dissolvida residual. É "última chance" para microrganismos removerem DBO.

Filtração mecânica: Sólidos suspensos finos ficam retidos nos vazios entre anéis (como filtro mecânico). Com o tempo, acumulam-se, especialmente na base do filtro.

Tempo de permanência: 6-9 horas.

Resultado: Adicional 10-20% de DBO removida. Efluente sai com DBO < 90 mg/L, SST < 90 mg/L — atendendo padrões de lançamento.

Etapa 5: Tanque de Contato — Desinfecção

Embora tratamento biológico tenha removido grande parte dos patógenos (sedimentação, digestão anaeróbia criam ambiente hostil), alguns permanecem. Padrões de lançamento exigem desinfecção.

Cloração com pastilhas:

Tanque de contato tem volume para reter efluente por 30-60 minutos. No interior, cesto perfurado contém pastilhas de tricloro (ácido tricloroisocianúrico — mesmo princípio de pastilhas para piscinas).

Água dissolve lentamente cloro das pastilhas. Concentração: 1-2 mg/L de cloro residual livre.

Mecanismo de inativação: Cloro é oxidante potente. Ataca membranas celulares de bactérias, proteínas virais, cistos de protozoários, causando danos irreversíveis. Após 30 minutos de contato:


99,9% de coliformes inativados

  • Significativa redução de vírus e protozoários

Resultado: Efluente desinfectado sai com < 1.000 NMP/100mL de coliformes totais — seguro para lançamento.

Manutenção: Operador repõe pastilhas mensalmente ou conforme consumo (observa se ainda há pastilhas no cesto; se não, adiciona novas).

Etapa 6: Filtro de Gases — Proteção Ambiental

Processos anaeróbios inevitavelmente geram gases:

  • CH₄ (metano) — inodoro mas combustível

  • CO₂ (dióxido de carbono) — inodoro

  • H₂S (sulfeto de hidrogênio) — odor de ovo podre, extremamente desagradável

  • Mercaptanos, compostos orgânicos voláteis — odores diversos

Se liberados diretamente para atmosfera, causariam incômodo à vizinhança.

Solução: Filtro de carvão ativado.

Gases de todas as câmaras são coletados em tubulação de ventilação que converge para filtro de carvão. Gases são forçados a passar através de leito de carvão ativado antes de serem liberados para atmosfera.

Carvão ativado: Material carbonáceo (geralmente de coco, madeira, ou carvão mineral) submetido a processo de ativação (térmico ou químico) que cria milhões de microporos. Área superficial: centenas de m² por grama de carvão!

Adsorção: Moléculas de H₂S, mercaptanos, COVs aderem (adsorvem) às superfícies internas dos poros do carvão, ficando retidas. Ar que sai do filtro está limpo, sem odores.

Capacidade de adsorção: Limitada. Com o tempo (1-2 anos), poros saturam-se. Carvão deve ser substituído ou regenerado.

Resultado: Sistema opera sem gerar odores perceptíveis à vizinhança — fundamental para aceitação social.

Saída e Disposição Final

Efluente tratado e desinfectado sai da Horizon. Destinos possíveis:

Lançamento em corpo d'água: Se há rio, córrego, represa nas proximidades. Conformidade com CONAMA 430 permite lançamento legal (sujeito a outorga e licença do órgão ambiental).

Infiltração no solo: Em áreas onde não há corpo receptor. Efluente percola através do solo, sendo filtrado e absorvido. Solo deve ter capacidade de infiltração adequada.

Reúso (após tratamento complementar): Efluente pode ser polido (filtros adicionais) e reutilizado para irrigação de jardins, lavagem de áreas externas.

7. CONFIANÇA E INSPIRAÇÃO

A parceria com BORDA e a experiência nacional

A ETE Horizon não nasceu do acaso — resulta de décadas de conhecimento acumulado globalmente e nacionalmente.

A Experiência da ONG BORDA

A BORDA (Bremen Overseas Research and Development Association) é ONG alemã fundada em 1977, especializada em saneamento descentralizado para comunidades de baixa renda em países em desenvolvimento.

Histórico impressionante:

  • Mais de 45 anos de atuação

  • Presença em mais de 20 países (África, Ásia, América Latina)

  • Mais de 3.500 sistemas DEWATS implantados

  • Centenas de milhares de pessoas beneficiadas

Conceito DEWATS:

DEWATS (Decentralised Wastewater Treatment Systems) é abordagem técnica e social desenvolvida pela BORDA:

Aspectos técnicos:

  • Tratamento anaeróbio em múltiplas etapas

  • Modularidade e adaptabilidade a contextos locais

  • Operação sem energia ou com energia mínima

  • Uso de materiais e mão de obra locais quando possível

  • Robustez para operar com manutenção mínima

Aspectos sociais:

  • Envolvimento comunitário desde concepção até operação

  • Capacitação de mão de obra local

  • Modelos de gestão comunitária ou por pequenas empresas locais

  • Foco em sustentabilidade financeira (tarifas acessíveis)

Resultados: Sistemas DEWATS operando com sucesso há décadas em contextos adversos (Bangladesh, Índia, Filipinas, Uganda, Tanzânia, etc.) comprovam viabilidade técnica e social da abordagem.

Adaptação e Melhorias pela Nexus

A Nexus estudou profundamente a experiência DEWATS e adaptou para realidade brasileira:

O que mantivemos da inspiração DEWATS:

  • Sequência de processos anaeróbios em múltiplas etapas

  • Operação sem energia

  • Robustez e simplicidade operacional

  • Foco em sustentabilidade econômica

O que melhoramos/adaptamos:

1. Fabricação industrial em PRFV:

Sistemas DEWATS tradicionais são construídos no local em alvenaria/concreto. Vantagens: usa materiais e mão de obra locais. Desvantagens: qualidade de construção variável, prazos longos, dificuldade de controle de qualidade.

A Horizon é pré-fabricada industrialmente em PRFV. Vantagens: qualidade controlada, prazos curtos (fabricação + instalação), durabilidade superior, estanqueidade garantida.

2. Otimização hidráulica:

Incorporamos conhecimento de décadas de pesquisa brasileira em reatores anaeróbios. Brasil é referência mundial: trabalhos pioneiros de professores como Eduardo Pacheco Jordão, Carlos Augusto Lemos Chernicharo, José Roberto Campos (in memoriam) e muitos outros estabeleceram fundamentos científicos de reatores UASB, filtros anaeróbios, tratamento anaeróbio no Brasil.

Aplicamos esse conhecimento para otimizar geometrias, tempos de detenção, sistemas de coleta de gases, na Horizon.

3. Controle de odores:

Problema frequente em sistemas anaeróbios em áreas urbanas. Incorporamos filtro de carvão ativado desde concepção — garantia de que Horizon não gera incômodos.

4. Modularidade em PRFV:

Permite transporte e instalação em locais de difícil acesso (ilhas, áreas montanhosas, comunidades isoladas). Módulos podem ser transportados por caminhão, balsas, até helicóptero (em casos extremos).

5. Desinfecção integrada:

Incluímos tanque de contato com cloração desde projeto básico, garantindo conformidade com padrões microbiológicos.

Experiência Nacional com Tratamento Anaeróbio

Brasil tem das mais extensas experiências mundiais com tratamento anaeróbio em escala real:

Reatores UASB: Centenas de ETEs municipais usando reatores UASB como tratamento primário (Belo Horizonte, Brasília, muitas cidades de Minas Gerais, São Paulo, Paraná). Décadas de operação geraram conhecimento sobre desafios operacionais, otimizações, desempenho em clima tropical.

Tanques sépticos: Milhões de unidades instaladas (residências, pequenos estabelecimentos). Conhecimento sobre dimensionamento, frequência de limpeza, problemas comuns.

Filtros anaeróbios: Amplamente usados como pós-tratamento de tanques sépticos ou reatores UASB.

Esse conhecimento foi incorporado na Horizon — não reinventamos a roda, aplicamos ciência consolidada.

O Resultado: O Melhor dos Dois Mundos

A Horizon é resultado da fusão:

  • Experiência internacional (BORDA/DEWATS): Prova de conceito em milhares de sistemas, abordagem social-técnica integrada

  • Conhecimento nacional: Ciência de tratamento anaeróbio desenvolvida no Brasil, adaptação a clima tropical, know-how em fabricação

Essa fusão produziu solução tecnicamente superior, economicamente viável, e socialmente apropriada para contexto brasileiro.

8. GARANTIA E SUPORTE

Compromisso com comunidades de longo prazo

A Nexus entende que fornecer uma ETE Horizon não termina na instalação — estabelecemos parceria de longo prazo para garantir sucesso.

Garantia Estrutural de 5 Anos

Garantimos a integridade estrutural da ETE Horizon contra:

  • Vazamentos devido a defeitos de fabricação

  • Rachaduras ou falhas estruturais do PRFV

  • Deterioração prematura de materiais

  • Defeitos em soldas e junções

Coberto: Reparo ou substituição de componentes defeituosos sem custo para cliente.

Não coberto: Danos por uso inadequado, falta de manutenção recomendada, impactos externos, eventos naturais (inundações, deslizamentos), modificações não autorizadas.

Acionamento de Garantia

Processo simplificado:

  1. Cliente notifica problema (fotos, descrição)

  2. Equipe técnica Nexus analisa remotamente

  3. Se necessário, visita técnica

  4. Se defeito coberto, providenciamos reparo sem custos

  5. Prazo: Emergências em 72h, não-emergências em 15 dias

O que está incluído

Projeto Executivo Completo:

  • Memorial descritivo detalhado

  • Desenhos de implantação, cortes, detalhes

  • Projeto estrutural (fundações)

  • Especificações técnicas

  • Manual de operação e manutenção ilustrado

  • ART/RRT para licenciamento

Fabricação Controlada:

  • Fabricação em ambiente industrial

  • Controle de qualidade rigoroso

  • Testes de estanqueidade 100%

  • Certificados e laudos

Transporte e Instalação:

  • Logística de transporte até local

  • Supervisão técnica de instalação

  • Testes de funcionamento

  • Comissionamento

Treinamento Operacional:

  • Treinamento prático no local

  • Manual operacional em linguagem simples

  • Vídeos de procedimentos

  • Certificados

Suporte Técnico Contínuo

Após instalação e start-up:

Suporte remoto:

  • Telefone/email/WhatsApp para dúvidas

  • Orientações sobre troubleshooting

  • Análise de dados operacionais (se fornecidos)

Visitas técnicas:

  • Disponíveis mediante contrato

  • Avaliação de performance

  • Identificação de melhorias operacionais

Fornecimento de consumíveis:

  • Pastilhas de cloro (indicação de fornecedores)

  • Carvão ativado para filtro (fornecimento direto ou indicação)

  • Peças de reposição quando necessário

Treinamento de Operadores

Oferecemos treinamento abrangente para operadores locais:

Módulo 1 - Fundamentos (4 horas):

  • O que é tratamento anaeróbio

  • Funcionamento de cada etapa da Horizon

  • Importância do saneamento para saúde pública

Módulo 2 - Operação Prática (4 horas):

  • Rotinas diárias e semanais

  • Como realizar inspeções

  • Como limpar tratamento preliminar

  • Como trocar pastilhas de cloro

  • Como observar funcionamento normal vs. anormal

Módulo 3 - Manutenção (4 horas):

  • Procedimento de remoção de lodo

  • Coordenação com caminhão limpa-fossa

  • Limpeza de componentes

  • Manutenção preventiva simples

Módulo 4 - Troubleshooting (4 horas):

  • Problemas comuns e soluções

  • Quando chamar suporte técnico

  • Registro de dados operacionais

Material fornecido:

  • Manual impresso colorido

  • Vídeos em pendrive

  • Certificados de participação

  • Ferramentas básicas para operação

Contratos de Operação e Manutenção

Para comunidades que preferem terceirizar operação:

Serviços incluídos:

  • Visitas mensais de inspeção

  • Limpeza periódica de componentes

  • Reposição de consumíveis

  • Remoção de lodo conforme necessário

  • Análises laboratoriais do efluente

  • Relatórios mensais de operação

Vantagens:

  • Tranquilidade para comunidade

  • Garantia de operação adequada

  • Conformidade legal contínua

Licenciamento e Aprovações

Apoio no licenciamento:

Fornecemos documentação técnica necessária para:

  • Licença Prévia (LP)

  • Licença de Instalação (LI)

  • Licença de Operação (LO)

Podemos auxiliar (mediante contrato específico) na interface com órgãos ambientais, esclarecimentos técnicos, complementações de documentação.

Compromisso Social

A Nexus reconhece que saneamento descentralizado tem componente social crítico. Nosso compromisso vai além da venda de equipamento:

Capacitação comunitária: Investimos tempo em capacitar lideranças comunitárias, operadores locais, para que comunidade seja autônoma.

Modelos de gestão: Compartilhamos experiências e melhores práticas de gestão comunitária de sistemas de saneamento (associações, cooperativas, pequenas empresas locais).

Sustentabilidade econômica: Orientamos sobre estruturação de tarifas acessíveis que cubram custos operacionais sem sobrecarregar famílias de baixa renda.

Parcerias: Trabalhamos com ONGs, governos, agências de desenvolvimento para viabilizar projetos em comunidades vulneráveis.

Responsabilidade Ambiental

Destinação de lodo: Orientamos sobre alternativas de destinação sustentável:

  • Compostagem (após higienização adequada)

  • Uso agrícola (conforme legislação local)

  • Leitos de secagem seguidos de disposição em aterro

Reúso de efluente: Incentivamos reúso quando apropriado (irrigação de áreas verdes, usos menos nobres), fornecendo orientações sobre tratamentos complementares necessários.

Monitoramento: Recomendamos análises periódicas de qualidade do efluente para garantir conformidade contínua e proteção ambiental.

Evolução Contínua

A Nexus continua investindo em melhorias da Horizon:

  • Testes com diferentes configurações e materiais

  • Desenvolvimento de módulos especializados (para efluentes específicos)

  • Otimização de custos de fabricação

  • Inovações em acessórios e componentes

Clientes existentes são informados de melhorias significativas e, quando viável, podem incorporá-las em retrofits ou expansões.

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